PVC Entrevista Alexandre Barros sobre o vexame rubro-verde

Fonte: UOL

S.O.S Portuguesa

A derrota para a Desportiva tirou da Portuguesa a chance de classificação para a segunda fase da Série D. Significa mais um capítulo de uma tragédia. O clube três vezes campeão paulista, vice-campeão brasileiro de 1996, duas vezes vencedor do Rio-São Paulo não terá divisão nacional para disputar em 2018. Pela primeira vez na história, isto vai acontecer.

O Juventus está melhor do que a Portuguesa. Ficou em sétimo lugar na Série A-2. A Portuguesa, em décimo terceiro.

Não é consolo. O Juventus tem uma vida diferente do que se propõe para os clubes de futebol. Mas seus jogos são uma festa. O público tem enchido a rua Javari para comer cannolli e ver futebol.

A Portuguesa precisa ter isto e muito mais. Não é para ir ao Canindé para comer bolinho de bacalhau. Mas pode. Desde que o estádio encha e o clube caminhe com um calendário anual definido. Série A ou Série B, primeira divisão do estadual, a lógica de um clube que teve Julinho Botelho, Djalma Santos, Brandãozinho, Enéas e Dener.

”Enquanto não houve gente série trabalhando, a Portuguesa não vai voltar a disputar o que deve”, diz o jornalista Eduardo Affonso, luso desde a infância.

”Neste futebol de hoje não tem mais espaço para a maioria dos clubes. Aqui não é a Europa. Futebol exige contingente de pessoas, muitos salários e estruturas físicas enormes. E não gera receita. Então o destino da maioria, nesta economia frágil, é fechar”, diz Flávio Gomes.

Não pode fechar nem ter o destino do América, do querido José Trajano. Que joga a segunda divisão do Rio de Janeiro, na penúria. Tem seu estádio, o Giulite Coutinho, longe do bairro onde nasceu. E só.

O América lamenta ter recebido o duro golpe da Copa União de 1987 e, por isso, alijado da disputa do Brasileiro daquele ano. Mas jogou no ano seguinte, 1988. A Portuguesa lamenta o estúpido caso de Héverton, em 2013. De volta à Série A, ficou em 13o lugar e caiu por um descaso absurdo da direção que saída e da diretoria que entrava. Até hoje não se provou culpa nem de Fluminense nem de Flamengo. A culpa é de quem não informou a suspensão.

A Portuguesa virou um time sem divisão e sem perspectiva. Estevam Soares foi demitido no meio da Série D, acusado pela derrota para o XV de Piracicaba na Série A-2 e de afirmar que a Portuguesa não tinha obrigação de subir. Tinha. O presidente Alexandre Barros contratou Mauro Fernandes,  fora do mercado havia dois anos. Recebe justas críticas pela escolha.

Nesta segunda, ele retornou a São Paulo e conversou com este blogueiro.

Falou sobre o futuro. Qual?

A Portuguesa precisa de um. Não é possível o futebol do Brasil deixar morrerem clubes como Guarani, que está voltando, Juventus, América, Bangu, Náutico…

A entrevista abaixo é só o depoimento do presidente da Portuguesa.

Este blog é um S.O.S. à Portuguesa. E aos clubes históricos do Brasil

PVC – Quais são os próximos passos depois de perder a vaga na Série D?

ALEXANDRE BARROS – Continuar o trabalho da reconstrução. Disputar a Copa Paulista, vencer e voltar a ter a vaga na Série . A Copa Paulista no dá a opção de escolher entre a Copa do Brasil e a Série D. Vamos optar pela Série D porque já temos a vaga na Copa do Brasil por causa do ranking da CBF.

PVC – Mas neste caso tem de ganhar a Série D.

ALEXANDRE BARROS – Sim. Dsde que ganhe a Copa Paulista. Já fizemos a opção de disputá-la, porque poderia haveria o risco de não subir pela Série D.

PVC – Por que escolher um técnico que não trabalhava havia dois anos, como Mauro Fernandes?

ALEXANDRE BARROS – A troca do técnico foi um acerto, na minha opinião. A estrutura nossa foi montada para buscar o acesso. Existiam alguns problemas com o Estevam.O próprio elenco e o Estevam fizeram questão de dizer que não era favorita para conquistar o acesso. Ainda houve problemas internos que nos fizeram modificar a comissão técnica. Julgo que tive coragem  de desligar vários dos jogadores que estavam causando problemas.

PVC – Muita gente diz que os desligamentos foram porque estavam em rota de colisão com o Marcelinho Paraíba.

ALEXANDRE BARROS – Isso é o que falam. Mas não foi isto o que nós detectamos. Detectamos e tiramos jogadores que faziam igreja. A chegada do Mauro Fernandes provocou uma mudança nisso. Fez uma linha dura e isto escancarou o problema interno. Às vezes você tem que olhar. A Portuguesa foi um time achincalhado, jogado na lata do lixo. Os jogadores respondiam friamente. Fizemos muito pouco. Pagamos em dia. Conseguimos fazer isto. O resultado não veio no campo. Mas temos de corrigir os erros e andar em frente. O ônus e o bônus. Temos de assumir a responsabilidade. Se eu julgasse que não tem chance de salvação, eu não teria sido . Se julgasse que não é viável, eu renunciaria. Uso uma frase do Leão comigo, Alexandre, isto é um trabalho de dez anos. Não de três. Mas eu tenho de fazer algo em três.

PVC – O Mauro Fernandes continua?

ALEXANDRE BARROS – Vamos conversar.

PVC – O Estevam deixou o clube depois de dizer que a Portuguesa não era favorita para o acesso. A obrigação da Portuguesa para os próximo anos é o quê?

ALEXANDRE BARROS – A obrigação da Portuguesa é ganhar qualquer campeonato e, quando é de acesso, a obrigação é subir. Não dá para tirar isto. A responsabilidade se não conquista, é de quem não conseguiu. Neste caso, o trabalho foi mal feito. O meu trabalho está sendo mal feito. Não estou cumprindo meus objetivos. A obrigação agora é entrar na Copa Paulista para vencer e conseguir a vaga na Série D. O que já é uma tragédia. A Série D tem grupos mais fortes aqui no Sudeste, porque é regionalizada. E outros mais fracos. Dos times paulistas, só o São Bernardo conseguiu subir. Enquanto há times do Nordeste que não têm condição de disputar. Mas é o regulamento. É a regra. A nossa obrigação é ganhar a Copa Paulista e montar a base para jogar a Série A-2 no ano que vem. E subir. Neste caso, vamos disputar no ano que vem, os mesmos torneios que disputamos neste ano.

PVC – Você teme a extinção?

ALEXANDRE BARROS – A Portuguesa não acaba. Meu maior temor não  é a bola. É a parte jurídica. Isto me preocupa. È muita dívida jurídica, muitas coisa.

PVC – Qual é o tamanho da dívida?

ALEXANDRE BARROS – Ainda não conseguimos chegar a um valor preciso.

PVC – Empresários portugueses, que já colocaram dinheiro, desistiram, porque perceberam que perderam o que investiram. Ainda é possível buscar dinheiro para salvar a Portuguesa?

ALEXANDRE BARROS – Estes empresários colocaram dinheiro num outro momento. Sim. É preciso ter cuidado. Buscar dinheiro você até consegue, mas pode ser prejudicial, pela forma como você vai fazer. Às vezes isto pode atrapalhar mais o futuro.  Tracei o sucesso na A-2, na Série C, no ano passado, subindo da Série B para a Série A no último ano do meu mandato. Não foi possível. Espero nestes três anos colocar a Portuguesa num lugar melhor. É difícil, mas é preciso acreditar que é possível.

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Fonte: UOL