Alexandre Barros: contribuí para que a Lusa fosse ainda mais achincalhada

Fonte: Band

Com a derrota para a Desportiva, no Espírito Santo, a Portuguesa foi eliminada da Série D. Para piorar a situação do clube, o resultado significa que a Lusa não tem calendário nacional para o ano que vem – a única esperança para se garantir na quarta divisão novamente é ganhar a Taça Federação Paulista, que acontece no segundo semestre.

Alexandre Barros assumiu a Lusa em dezembro do último ano – Foto: Band

Alexandre Barros assumiu a presidência da Lusa em dezembro do ano passado com o objetivo de encerrar os vexames consecutivos da equipe que em 2013 ainda estava na Série A do Brasileirão. No entanto, ele mesmo admite que até agora não foi capaz de alcançar a meta.

“Arrumar desculpas é a coisa mais fácil do mundo. Quando você aceita desafios é porque você considera que tem capacidade para superar todas as dificuldades. A gente não vence sem trabalho e meu objetivo é continuar trabalhando. Ainda existem muitos erros dentro da Portuguesa. Se nós colocarmos em uma planilha de 0 a 100, nós ainda não corrigimos 0,5% dos erros. E, consequentemente, com tantos erros que existem na Portuguesa, com tantos problemas que existem na Portuguesa, o futebol paga caro por isso. Nós montamos um planejamento que não deu certo. Volto a frisar, a responsabilidade é única e exclusivamente minha como comandante”, afirmou em entrevista à Rádio Bandeirantes o dirigente, que continuou a enumerar os erros de gestão até o momento.

“Eu volto a dizer que fiz pior do que muita gente. São três comandantes em apenas seis meses, uma média de dois meses para cada treinador. Houve uma montagem de elenco para o Paulista, houve uma mudança de parte desse elenco para o Campeonato Brasileiro. Dentro desse Brasileiro, que é uma competição em tiro curto de seis jogos, a dispensa e a saída de seis jogadores que não estavam correspondendo e culminou nessa eliminação precoce, trágica, mas que por irresponsabilidade, por erros meus, a Portuguesa está pagando caro e o torcedor está sofrendo por causa disso. A Portuguesa ficou largada no decorrer da sua história e foi caindo, perdendo prestígio e eu posso dizer que corroborei com isso nesses seis meses para que ela seja mais achincalhada ainda”, completou.

Apesar destes problemas e da falta de resultados, Alexandre Barros enxerga alguns méritos em sua gestão até o momento.

“Se nós formos analisar friamente, a Portuguesa mudou de janeiro para cá com algumas comissões. Quem via o clube largado, hoje ele está menos largado. Antes todo mundo sabia que quem viria para a Portuguesa não receberia, hoje a Portuguesa cumpre com suas obrigações não só com os atletas, mas com todos os funcionários. Isso já é uma vantagem em um planejamento em que você vai conseguir buscar alguns atletas que acreditem no seu projeto de trabalho”, disse o mandatário, que continuou.

“Eu posso dizer que, dentro da minha gestão, de todos os atletas que passaram até hoje, nenhum deles foi embora sem que fosse feito um acordo e ele recebesse o que tinha de direito. A tendência é que nós não tenhamos ações trabalhistas daqui para frente, esse é um objetivo. Eu cheguei em um clube com 409 ações trabalhistas que já estavam inscritas, com mais de 60% delas transitadas e julgadas, com a Portuguesa condenada a pagar milhões e milhões. Estamos tentando articular para que se diminua isso e não se faça mais. Administrativamente, alguma coisa andou. Futebolisticamente, a Portuguesa não andou, ela foi mesmo do mesmo, conseguiu fazer com que o torcedor passasse nesses seis meses a mesma vergonha que vinha passando nos últimos anos”, admitiu.

“Apesar das dificuldades, o cartola acredita em uma volta por cima. “Eu ouvi uma frase do Leão no começo do ano, quando ele veio somar aqui com a gente: ‘Alexandre, será um trabalho para 10 anos e a gente pode cortar algumas etapas e diminuir isso com sucesso no futebol’. Eu sou muito franco, se eu não acreditasse que a Portuguesa pode brilhar novamente, eu seria o primeiro a renunciar meu cargo. Seria o primeiro a não ter sido candidato à presidência. Eu acredito que a Portuguesa vai voltar. Vai ser com muito trabalho, muita dificuldade, mas tem que arregaçar as mangas. A única coisa que não tem solução é a morte, e a Portuguesa não morreu”, cravou.

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